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Painel autolimpante torna energia solar mais viável
Quando pensamos no melhor lugar para instalar painéis solares, desertos surgem como uma das primeiras opções. Mas a areia pode impedir a captação da luz solar e com isso, os painéis precisam ser limpos constantemente. Uma nova tecnologia pode ajudar a criar painéis autolimpantes.
Desenvolvida para auxiliar missões exploratórias em Marte, a tecnologia poderia ajudar os painéis a operar em capacidade plena aqui na Terra. Por meio de cargas eletrostáticas, a poeira é repelida e vai para as margens dos painéis em ciclos de dois minutos. Com a técnica, é possível remover 90% do pó, de acordo com Malay Mazumder, professor da Boston University – instituição que liderou a pesquisa.
O acúmulo de pó nos painéis dificulta a exploração da Lua e de Marte pela Nasa. Em Marte, as missões exploratórias Spirit e Opportunity duraram menos do que o esperado porque as sondas tiveram seus painéis limpos por ventos inesperados. Nos anos 90, a missão Pathfinder não teve a mesma sorte.
Este problema diminuiu em 40% a eficiência de uma planta de 10 megawatt instalada nos Emirados Árabes Unidos. Lavar os painéis demanda tempo ou requer automações caras para limpar as placas. No deserto, água é um recurso ainda mais precioso.
O sistema tira proveito da Física: a maior parte das partículas de pó tem carga elétrica, especialmente em ambientes secos. Um eletrodo feito de óxido de índio cria uma corrente elétrica no placa. Alternando a polaridade da corrente, um campo elétrico é criado e repele tanto as partículas positivas quanto as negativas.em contato com o painel solar.
Não é necessária muita energia elétrica para alimentar esse sistema autolimpante. A corrente elétrica é pequena e o sistema só precisa ser usado por cinco minutos a cada dia. Um sensor indica quando o painel precisa ser limpo. Esse é uma das abordagens da Nasa para o problema – a outra faz vibrar o painel para remover o pó.
Ainda não é possível dizer com certeza qual método é mais eficiente. Vibrar o painel é mais simples e requer menos adaptações. Mas o método não remove partículas mais finas, como o método por campo elétrico faz. Outras soluções são jatos de ar ou uso de materiais não-aderentes.
Construir placas autolimpantes usando campo elétrico pode ser mais simples porque os fabricantes têm materiais aptos para usar eletrodos transparentes, segundo Mazumder. O próximo passo é fazer com que essa tecnologia custe cerca de 1% do valor total do painel solar.