Por trás do selo verde

O post de hoje é uma tentativa de responder a um debate bacana do blog Desabafo de Mãe, da Ceila Santos e da Sueli Sueishi. O tema do post era sobre a influência da publicidade infantil e acabou descambando para os produtos sustentáveis ou ecologicamente corretos.

Toda empresa, hoje em dia, tem produtos com o “selo verde”. Faz bem para o marketing – e para as vendas – mostrar preocupação com o meio ambiente. E a pergunta da Ceila ao Tablóide Verde foi direta: existe como saber quais são as empresas que respeitam a natureza?

É algo muito difícil de se descobrir, sendo bem honesto. Mesmo com a atual onda de relatórios de sustentabilidade, não é simples de saber onde termina o discurso e onde começa a ação das empresas em relação às práticas de sustentabilidade. Práticas que antes eram diferencial, mas hoje são fundamentais.

Por outro lado, não há muito segredo no método a seguir caso você queira empreender uma busca por produtos sustentáveis. Os jornais e revistas têm feito um esforço na cobertura do tema e têm descoberto bastante irregularidades das empresas na extração e produção das suas mercadorias.

Mas o melhor caminho é acompanhar ONGs especializadas em temas ambientais e consumo consciente. Destaco três: Greenpeace, Instituto Akatu e Instituto Alana. O primeiro é mais famoso e os outros dois tratam de consumo consciente e da proteção das crianças contra a publicidade, respectivamente.

Nenhum ramo de atividade escapa ao dilema da sustentabilidade. Mesmo os produtos considerados inofensivos apresentam graves problemas. Um exemplo é o chocolate KitKat, da Nestlé, associado à matança de orangotangos e ao desmatamento na Indonésia pelo Greenpeace.

A pressão da ONG foi tamanha que a empresa se comprometeu a mudar os fornecedores de óleo de dendê e usar 100% de óleo obtido de fontes sustentáveis até 2015. Hoje, esse percentual é de 18%. A Unilever, principalmente o sabonete Dove,  também enfrentou problemas com o óleo de dendê.

Como o post está relacionado a um blog de mães, um segmento importante é a indústria de cosméticos. Num mundo obcecado com a beleza, essa é uma indústria influente. Mas seus produtos têm toxinas causadoras de  diversos problemas de saúde, como câncer, dificuldade de aprendizado e infertilidade masculina.

Story of Cosmetics é um vídeo feito por Annie Leonard para explicar a fabricação desses produtos. O uso dos cosméticos afeta toda a sociedade, seja quem trabalha na fabricação, seja quem usa. Annie conta que nos EUA, cada mulher usa 12 produtos de beleza diariamente; os homens, seis.

Ficou interessado no assunto e quer ir além das recalamções. Uma solução é proposta pela ONG SafeCosmetics.org, um site onde as pessoas interessadas em mudar a legislação do setor reunem esforços para o desenvolvimento de cosméticos mais saudáveis. Precisa passar da consciência para a ação.

Deixo o filme sobre cosméticos da Annie Leonard. O trabalho dessa produtora em relação à sustentabilidade é excelente. Ela já tinha realizado outros filmes na mesma linha, como o História das Coisas e o História da Água engarrafada.

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3 Comentários

  1. Publicado 23 de julho de 2010 em 17:20 | Permalink

    Charles, querido,
    muito obrigada pelas dicas e o post maravilhoso. Vou com certeza incluí-lo lá na nossa roda de conversas no Desabafo e espero que as redes de mães possam dialogar mais contigo. Valeu, garoto!!! E parabéns pelo blog e pelo trabalho.

  2. Publicado 24 de julho de 2010 em 14:10 | Permalink

    Quando eu faço palestra, sempre dou a dica de como descobrir quando uma empresa faz ou não greenwash: olhe os processos. Esqueça o marketing, esqueça as propagandas, esqueça os relatórios (principalmente estes). Procure ver como é a administração das empresas. Veja se ela massacra os fornecedores em busca do menor preço, veja como é a política de RH dela, como é o relacionamento com stakeholders… não são informações difíceis de se conseguir. Porque é com esse olhar que a gente vai ver que uma Natura, por exemplo, NUNCA vai ser uma empresa sustentável, por mais que ela venda esse conceito e as pessoas comprem.

  3. Publicado 27 de julho de 2010 em 15:11 | Permalink

    Para esclarecer e orientar as empresas sobre como comunicar corretamente seus esforços genuínos em prol do desenvolvimento sustentável, sem praticar “maquiagem verde”, o Grupo SustentaX desenvolveu o Guia SustentaX para Comunicação Responsável com o Consumidor. Por meio de exemplos e pela definição do que são atributos essenciais, complementares e suplementares de sustentabilidade, o guia apresenta princípios a serem seguidos pela comunicação, trazendo explicações também sobre termos, como degradável, biodegradável, reciclabilidade, entre outros.
    Acessem: http://www.selosustentax.com.br/pdf/guia_sustentax.pdf

    Mais informações: http://www.SeloSustentaX.com.br

Um Trackback

  1. Por Ainda sobre o greenwashing em 27 de julho de 2010 às 18:40

    [...] post de sexta-feira do Tablóide Verde falou sobre a dificuldade de descobrir se uma empresa é, de fato, sustentável. [...]

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