Painel autolimpante torna energia solar mais viável

Quando pensamos no melhor lugar para instalar painéis solares, desertos surgem como uma das primeiras opções. Mas a areia pode impedir a captação da luz solar e com isso, os painéis precisam ser limpos constantemente. Uma nova tecnologia pode ajudar a criar painéis autolimpantes.

Desenvolvida para auxiliar missões exploratórias em Marte, a tecnologia poderia ajudar os painéis a operar em capacidade plena aqui na Terra. Por meio de cargas eletrostáticas, a poeira é repelida e vai para as margens dos painéis em ciclos de dois minutos. Com a técnica, é possível remover 90% do pó, de acordo  com Malay Mazumder, professor da Boston University – instituição que liderou a pesquisa.

O acúmulo de pó nos painéis dificulta a exploração da Lua e de Marte pela Nasa. Em Marte, as missões exploratórias Spirit e Opportunity duraram menos do que o esperado porque as sondas tiveram seus painéis limpos por ventos inesperados. Nos anos 90, a missão Pathfinder não teve a mesma sorte.

Este problema diminuiu em 40% a eficiência de uma planta de 10 megawatt instalada nos Emirados Árabes Unidos. Lavar os painéis demanda tempo ou requer automações caras para limpar as placas. No deserto, água é um recurso ainda mais precioso.

O sistema tira proveito da Física: a maior parte das partículas de pó tem carga elétrica, especialmente em ambientes secos. Um eletrodo feito de óxido de índio cria uma corrente elétrica no placa. Alternando a polaridade da corrente, um campo elétrico é criado e repele tanto as partículas positivas quanto as negativas.em contato com o painel solar.

Não é necessária muita energia elétrica para alimentar esse sistema autolimpante. A corrente elétrica é pequena e o sistema só precisa ser usado por cinco minutos a cada dia. Um sensor indica quando o painel precisa ser limpo. Esse é uma das abordagens da Nasa para o problema – a outra faz vibrar o painel para remover o pó.

Ainda não é possível dizer com certeza qual método é mais eficiente. Vibrar o painel é mais simples e requer menos adaptações. Mas o método não remove partículas mais finas, como o método por campo elétrico faz. Outras soluções são jatos de ar ou uso de materiais não-aderentes.

Construir placas autolimpantes usando campo elétrico pode ser mais simples porque os fabricantes têm materiais aptos para usar eletrodos transparentes, segundo Mazumder. O próximo passo é fazer com que essa tecnologia custe cerca de 1% do valor total do painel solar.

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Novo sistema de injeção eletrônica economiza até 25% de combustível

Uma nova tecnologia pode aumentar a eficiência dos motores dos carros a gasolina e fazer os novos motores economizarem 25% do consumo atual. Com a novidade, os carros atingem os padrões de eficiência exigidos pelo governo norte-americano para 2016. Chamada pela Chrysler de MultiAir,  a tecnologia consiste num conjunto de solenóides para tornar mais eficiente o processo de abertura das válvulas do motor, segundo o site Technology Review.

Num carro convencional, um eixo abre e fecha as válvulas para jogar ar no motor. As válvulas fazem o mesmo movimento, mesmo em velocidades mais baixas, quando menos ar é necessário. O novo sistema determina eletronicamente a melhor maneira de abrir as válvulas, de acordo com a estrada e de outros fatores, fazendo o carro rodar de modo mais eficiente por todo o tempo.

Como funciona
O motor funciona com ciclos de abertura e fechamento de válvulas, que enviam o combustível para a câmara de combustão. Neste novo sistema, um solenóide atua como um alternador, ajustando os ciclos de abertura e fechamento das vávulas, e faz com que o motor receba a quantidade adequada de ar para funcionar de forma mais eficiente.

Se o torque é mais exigido, o motor recebe menos ar; se é necessário aumentar a potência, a válvula joga mais ar no motor. Os engenheiros da Chrysler dizem que o sistema aumenta em até 15% o torque do carro.

Criada em 2009 pela Fiat – dona da Chrysler, a tecnologia chegará ao mercado americano em 2011 no Fiat 500. Em cinco anos, a tecnologia deverá estar em todos os modelos da montadora. Ainda não há previsão do custo adicional dessa tecnologia nos carros. No entanto, analistas estimam que o custo extra deverá ficar em torno de US$ 1.000 (R$ 1.800)

O investimento da montadora americana nessa tecnologia é um dos últimos esforços para melhorar a eficiência dos motores de combustão interna. Novas tecnologias, como os motores elétricos são ambientalmente melhores. Mas a transição para essas tecnologias não será dará automaticamente.

Não apenas a Chrysler aposta na melhoria dos motores tradicionais: a Ford desenvolveu o sistema EcoBoost, direcionando melhor a injeção de combustível e diminuindo o tamanho dos motores pela metade. Como resultado, há uma economia de 20% no uso da gasolina.

Foto: Chrysler

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Reciclagem cobre 56% dos gastos da Itautec com gestão ambiental

Por meio da reciclagem de computadores e outros aparelhos eletrônicos, a Itautec consegue quantia semelhante a 56% do montante investido em programas ambientais pela empresa todo ano. Segundo João Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da Itautec, “a reciclagem gera recursos da ordem de R$ 500 mil, mais da metade dos R$ 900 mil investidos anualmente pela empresa em gestão ambiental”.

A empresa lançou ontem (18) um Guia do Usuário Consciente de Produtos Eletrônicos. A publicação foi editada em conjunto com a Gestão Origami, especializada em sustentabilidade, e procura orientar o consumidor como escolher, comprar, utilizar e descartar corretamente os aparelhos eletrônicos. Redondo contou que o Guia estará (ou já está?) disponível na Internet e há planos de distribuir a publicação impressa em uma loja de varejo – possivelmente a Fnac.

Em 2003, a empresa lançou um centro de reciclagem em Jundiaí (SP) para recolher produtos eletrônicos usados ou inutilizados, investindo cerca de R$ 500 mil na criação do centro. “Outros R$ 350 mil foram investidos para adequar a linha de produção para a RoHS – diretiva ambiental da União Européia”, disse Redondo.

Segundo essa diretiva, os aparelhos eletrônicos não podem conter metais como chumbo e outros compostos químicos tóxicos como bromo e cromo. Além disso, todos os aparelhos seguem a certificação Energy Star 5.0, relacionado com a eficiência energética desses equipamentos.

Outra ação tomada pela Itautec diz respeito às embalagens dos produtos. “Todos os componentes das embalagens são recicláveis e os invólucros estão com tamanho 54% menor”, explicou o gerente. Para adequar as embalagens, foram gastos cerca de R$ 3 milhões.

No primeiro semestre de 2010, foram recicladas 337 toneladas de resíduos eletrônicos pela Itautec. Isso equivale a cerca de 40 mil equipamentos eletrônicos.  Até o fim do ano, deverão ser recicladas 750 toneladas, um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para Mário Anseloni, CEO da Itautec, “as empresas devem se preocupar com reciclagem, pois o Brasil já é o terceiro maior mercado de PCs do mundo”. Anseloni alertou para as necessidades do segmento: “não há estrutura para reciclar todos os resíduos eletrônicos do Brasil. Mandamos nossas placas para serem tratadas na Bélgica”, disse ele.

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Carros contribuem mais para o aquecimento global do que aviões

Apesar das emissões dos aviões terem impacto mais imediato, andar de carro contribui mais para o aquecimento global e causa mais danos ao ambiente. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita pela Nasa, a agência espacial norte-americana.

No curto prazo, viajar de avião prejudica mais o ambiente por causa dos processos de aquecimento de curta duração que acontecem em altitudes elevadas.

O estudo, publicado no Environmental Science & Technology Journal, comparou impactos causados no processo de aquecimento global causados por diferentes meios de transporte. Para fazer essa avaliação foram usados modelos climáticos químicos para considerar os efeitos de gases de curta e longa duração e dos aerosóis nas nuvens.

Segundo os pesquisadores, no longo prazo, o efeito negativo do uso de automóveis é maior do que o provocado pelas viagens aéreas. No entanto, nos primeiros anos após a emissão dos gases-estufa, o dano causado pelos aviões aumenta a temperatura da Terra quatro vezes mais do que os carros.

“Por voar em grande altitude, aviões afetam de modo mais forte as nuvens e a camada de ozônio”, explica o doutor Jens Borken-Kleefeld, chefe da pesquisa. Entretanto, o cientista alerta para o perigo das emissões dos carros:

“Carros emitem mais CO2 por milha per capita do que os aviões. Como o dióxido de carbono fica mais tempo na atmosfera, há um impacto maior para as mudanças climáticas quando pensamos no longo prazo”.

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Recuperar florestas captura mais CO2 do que plantações de uma única espécie

A absorção de CO2 é mais uma razão para recuperar – e preservar – matas nativas. Segundo estudo realizado na Austrália, o reflorestamento é mais eficiente que o plantio de uma única espécie para reter o dioxido de carbono na atmosfera. A pesquisa foi pulicada no periódico Ecological Management & Restoration.

Essa descoberta confronta a visão tradicional sobre a eficiência da monocultura no plantio de árvores. Depois de testar três tipos de plantações no nordeste da Austrália – monocultura de coníferas nativas, plantações mistas e recuperar florestas tropicais originais com árvores diversas – os pesquisadores constataram algumas diferenças.

Florestas recuperadas eram mais densas, tinham árvores maiores e capturavam 106 toneladas de CO2 por hectare, contra apenas 62 toneladas armazenadas em plantações não-nativas. A pesquisa é importante, pois aparece num momento em que nações e empresas estudam maneiras de compensar emissões de gases-estufa com ações de preservação e reflorestamento.

Cientistas florestais alertam para o risco de haver disseminação de florestas de uma única espécie mundo afora. “Os investidores procuram a maneira mais barata de mitigar emissões” diz  John Kanowski, ecologista da Australian Wildlife Conservancy e um dos autores do estudo.

Plantações em monoculturas têm sido usadas para fins industriais e são fonte de recursos como madeira e borracha. No entanto, esse modelo é controverso, sendo chamado por alguns ecologistas de “deserto verde” por conta da perda da diversidade de espécies vegetais e animais.

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Boca Juniors relembra título mundial com “camisa ecológica”

Leio na Folha de São Paulo que o mais tradicional clube argentino irá lançar uma camisa para relembrar a conquista do título mundial interclubes de 2003. As cores da camisa são as mesmas do uniforme usado na vitória nos pênaltis contra o Milan.

Melhor ainda: há uma preocupação com a sustentabilidade do uniforme. Feita de com poliéster reciclado de garrafas plásticas, há redução de 30% no consumo de energia, conforme diz a nota no site oficial do clube. A camisa tem tecnologia similar ao modelo usado por várias seleções na última Copa do Mundo.

A nova camisa do time de Buenos Aires apresenta mudanças no layout: azul com a tradicional faixa amarela transversal apenas na parte da frente, inclui um escudo com os 50 títulos vencidos pelo clube, outro menor com a frase ‘La mitad más uno’ (“Metade mais um”), com as siglas do clube nas costas e a bandeira argentina no pescoço.

O uniforme incorpora a tecnologia Dynamic Fit, apresentando nas laterais da camisa pequenas perfurações realizadas com laser que geram maior circulação do ar e dão ao jogador uma boa temperatura do corpo. É mais um motivo para gostar do Boca.

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Ainda sobre o greenwashing

O post de sexta-feira do Tablóide Verde falou sobre a dificuldade de descobrir se uma empresa é, de fato, sustentável. É algo trabalhoso, exige tempo, paciência e disposição para buscar as informações. Mas há duas dicas importantes na caixa de comentário. Merecem destaque e são o mote do post de hoje.

Diz a Julianna Antunes, do ótimo blog Olhar Sustentável sobre as Empresas: “Quando eu faço palestra, sempre dou a dica de como descobrir quando uma empresa faz ou não greenwash: olhe os processos. Esqueça o marketing, esqueça as propagandas, esqueça os relatórios (principalmente estes).

Procure ver como é a administração das empresas. Veja se essa empresa massacra os fornecedores em busca do menor preço, veja como é a política de RH da companhia, como é o relacionamento com stakeholders (envolvidos na cadeia produtiva de uma empresa/produto). Não são informações difíceis de se conseguir”.

Segundo pesquisa feita em 2008 pelo instituto americano Pew Research, os brasileiros são os consumidores mais preocupados com o aquecimento global: cerca de 92% considera as mudanças climáticas um problema sério. Nos EUA, o percentual é de apenas 42%, na China, de 24%.

Em 2009, outra pesquisa mostrou o interesse brasileiro no tema: 48% dos brasileiros estariam dispostos a pagar 10% a mais por um produto sustentável, de acordo com sondagem do grupo francês Havas. O maior problema é a falta de informação sobre o assunto.

A consultoria SustentaX lançou um selo do mesmo nome para certifcar produtos sustentáveis nas mais diversas áreas. A empresa disponibilizou um glossário com os principais termos usados nessa área. Serve de ponto de partida para quem quer saber mais sobre o produto que leva para casa.

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Efeitos das emissões de CO2 são mais duradouros que o imaginado

Um dos benefícios da CoP-15 foi colocar o aquecimento global de vez na cobertura de Ciência. Concordo com a Natalie Unterstell (@unatalie), coordenadora do Centro Estadual de Mudanças Climáticas do Amazonas num ponto: a cobertura do tema tem dois eixos principais: a diplomacia do clima ou dicas para cortar as emissões. É uma abordagem restrita para um tema tão complexo.

Entretanto, ainda é necessário insistir no perigo das emissões de CO2 para o clima na Terra e mostrar a importância das ações  de mitigação/compensação. Cerca de 10 dias atrás, o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA (NRC, na sigla em inglês) lançou um relatório preocupante (íntegra aqui): os efeitos das emissões de dióxido de carbono são mais duradouros que o imaginado.

Segundo os cientistas, não dá para fazer previsões a longo prazo. Mas o cenário de curto prazo está longe de ser animador: para cada grau Celsius de aumento na temperatura da Terra, haverá redução de 5 a 10% das chuvas na América do Norte e Sul da África; redução de 5 a 10% no volume de águas das bacias de rios das regiões temperadas e redução de 5 a 15% nas safras de grãos nos EUA e na Índia (dois dos maiores produtores mundiais).

Nas regiões tropicais, espera-se um aumento de 10% em comparação com os atuais níveis de chuva e aumento das ocorrências de queimadas nas florestas durante os verões. Por fim, um aumento de 4 graus Celsius faria com que 9 em cada 10 verões sejam mais quentes que o verão mais quente do final do século XX. Para outras informações, é só dar uma olhada no sumário executivo do estudo da NRC.

Historicamente, os níveis de CO2 na atmosfera se mantiveram na faixa de 260-280 ppm desde o advento da agricultura (5 mil anos atrás) até a Revolução Industrial. De 1800 para cá, houve um aumento de 40% na concentração desse composto na atmosfera. Caso o ritmo se mantenha, haverá uma acidificação dos oceanos, afetando o ecossistema marinho. Se não cortarmos a emissão de CO2, em 2050 os corais desaparecerão por completo.

Para resolver o problema há duas estratégias: cortar emissões ou criar tecnologias para absorção mais eficiente de CO2. Atualmente, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, é de 390 ppm (o ideal seria 350 ppm). Os oceanos, árvores e solos absorvem cerca de 60% do volume de CO2 produzido hoje. Uma intervenção tecnológica se faz necessária dada a taxa de expansão das emissões.

Cortar emissões é mais complicado. Para isso, seria necessária uma transformação completa dos parques industriais mundo afora. Num momento de crise econômica, isso exigiria um montante de capital não disponível às empresas. Portanto, essa medida é viável apenas num cenário de médio-longo prazo. Resta a segunda opção, ações de mitigação e absorção de CO2.

Nesse sentido, é bom ficar de olho em pesquisas sobre o assunto. Matéria do Tecnology Review (boletim do MIT), mostra como essas tecnologias são caras: adicionar métodos de captura de CO2 a uma mina de carvão custa o dobro do valor da energia elétrica gerada por essa planta. A solução pode estar na biotecnologia.

A Codexis, empresa californiana, trabalha no desenvolvimento de enzimas para baratear a captura de CO2. O processo tornaria a obtenção de eletricidade até 30% mais barato. A enzima aumenta em até 100 vezes a eficiência do solvente usado para “capturar” o dióxido de carbono, dimunuindo a energia necessária para armazenar o gás-estufa.

PS1: se você ainda não está convencido dos perigos do CO2, leia esta matéria da Andrea Vialli (@avialli) mostrando como o carbono proveniente da queima de comsbustíveis fósseis (lenha e carvão) potencializam os efeitos do aquecimento global.

PS2: No Grist (o melhor blog de meio ambiente do mundo), há uma boa matéria destrinchando as emissões globais em 2009. Apesar da queda das emissões em 2009, a velocidade de aumento das emissões cresceu numa taxa de 2,5% ao ano nesta década. O Brasil, infelizmente, é citado por suas emissões no uso da terra: derruba a mata para usar na agricultura.

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Por trás do selo verde

O post de hoje é uma tentativa de responder a um debate bacana do blog Desabafo de Mãe, da Ceila Santos e da Sueli Sueishi. O tema do post era sobre a influência da publicidade infantil e acabou descambando para os produtos sustentáveis ou ecologicamente corretos.

Toda empresa, hoje em dia, tem produtos com o “selo verde”. Faz bem para o marketing – e para as vendas – mostrar preocupação com o meio ambiente. E a pergunta da Ceila ao Tablóide Verde foi direta: existe como saber quais são as empresas que respeitam a natureza?

É algo muito difícil de se descobrir, sendo bem honesto. Mesmo com a atual onda de relatórios de sustentabilidade, não é simples de saber onde termina o discurso e onde começa a ação das empresas em relação às práticas de sustentabilidade. Práticas que antes eram diferencial, mas hoje são fundamentais.

Por outro lado, não há muito segredo no método a seguir caso você queira empreender uma busca por produtos sustentáveis. Os jornais e revistas têm feito um esforço na cobertura do tema e têm descoberto bastante irregularidades das empresas na extração e produção das suas mercadorias.

Mas o melhor caminho é acompanhar ONGs especializadas em temas ambientais e consumo consciente. Destaco três: Greenpeace, Instituto Akatu e Instituto Alana. O primeiro é mais famoso e os outros dois tratam de consumo consciente e da proteção das crianças contra a publicidade, respectivamente.

Nenhum ramo de atividade escapa ao dilema da sustentabilidade. Mesmo os produtos considerados inofensivos apresentam graves problemas. Um exemplo é o chocolate KitKat, da Nestlé, associado à matança de orangotangos e ao desmatamento na Indonésia pelo Greenpeace.

A pressão da ONG foi tamanha que a empresa se comprometeu a mudar os fornecedores de óleo de dendê e usar 100% de óleo obtido de fontes sustentáveis até 2015. Hoje, esse percentual é de 18%. A Unilever, principalmente o sabonete Dove,  também enfrentou problemas com o óleo de dendê.

Como o post está relacionado a um blog de mães, um segmento importante é a indústria de cosméticos. Num mundo obcecado com a beleza, essa é uma indústria influente. Mas seus produtos têm toxinas causadoras de  diversos problemas de saúde, como câncer, dificuldade de aprendizado e infertilidade masculina.

Story of Cosmetics é um vídeo feito por Annie Leonard para explicar a fabricação desses produtos. O uso dos cosméticos afeta toda a sociedade, seja quem trabalha na fabricação, seja quem usa. Annie conta que nos EUA, cada mulher usa 12 produtos de beleza diariamente; os homens, seis.

Ficou interessado no assunto e quer ir além das recalamções. Uma solução é proposta pela ONG SafeCosmetics.org, um site onde as pessoas interessadas em mudar a legislação do setor reunem esforços para o desenvolvimento de cosméticos mais saudáveis. Precisa passar da consciência para a ação.

Deixo o filme sobre cosméticos da Annie Leonard. O trabalho dessa produtora em relação à sustentabilidade é excelente. Ela já tinha realizado outros filmes na mesma linha, como o História das Coisas e o História da Água engarrafada.

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Uma questão de sobrevivência

Qual é a visão de um economista sobre problemas ambientais e desenvolvimento sustentável? Pedi ao João Paulo Camargo, economista pela Unicamp e editor do blog Pessimismo da Razão, um texto sobre esse tema. O resultado, é este:

O nítido avanço da degradação do meio-ambiente vem trazendo à tona uma série de preocupações nada desprezíveis. No âmbito da economia, essas inquietações giram em torno à necessidade do que se denomina desenvolvimento sustentável. Desse ponto de vista, uma questão em particular deveria chamar nossa atenção.

Atualmente, a maioria da humanidade ainda encontra-se privada dos benefícios mais elementares da civilização industrial, desde uma alimentação adequada até o acesso a serviços como saneamento, eletricidade, educação e saúde. Atender às necessidades básicas dessa imensa massa da população do planeta, hoje fora da esfera do consumo, implicaria em expandir o consumo e a produção.

Mas seria isso compatível com a preservação do meio-ambiente, ou seja, com a manutenção das próprias bases naturais da existência humana? Essa questão se apresenta se pensarmos, por exemplo, na economia dos Estados Unidos. Ela representa apenas 4% da população mundial, mas consome 25% da energia e dos recursos naturais estratégicos e é responsável por 25% da poluição de todo o planeta.

Reproduzir e generalizar o padrão de consumo e a forma de organização da produção estadunidense é inviável desde um ponto de vista objetivo – redundaria no rápido esgotamento dos recursos naturais e em níveis insuportáveis de poluição e degradação ambiental.A situação é tão mais alarmante porque a China acaba de ultrapassar os Estados Unidos em consumo mundial de energia.

Então, como incorporar toda aquela população excluída, garantir-lhe acesso às benesses do progresso técnico, se as implicações do ponto de vista ecológico podem ser desastrosas? A questão, à primeira vista pertinente, é falsa, ao menos da maneira como é formulada.

É perfeitamente plausível compatibilizar o atendimento das necessidades básicas da totalidade da população mundial e a preservação ambiental. A incompatibilidade estaria em pretender universalizar as formas de consumo e de produção que se originaram nos Estados Unidos e que, no pós-guerra, difundiram-se rapidamente para outros países desenvolvidos e, depois, para os subdesenvolvidos.

Esse padrão de desenvolvimento, caracterizado pela produção em larga escala, pelo consumo massificado, pela acelerada diversificação e obsolescência dos bens de consumo, pelos elevados requisitos de recursos não-renováveis, entre outros atributos, é em sua essência, depredatório.

Com os atuais níveis de conhecimento técnico e científico e de produtividade econômica, a sociedade humana encontra-se em condições de propiciar as mínimas condições materiais de existência à totalidade da população mundial, sem agredir a natureza. Basta mudar as técnicas produtivas, a organização da produção e o padrão de consumo hoje predominantes.

A necessidade do desenvolvimento sustentável está em contradição com a forma atual de organização da produção e de gestão dos negócios em geral. A questão ambiental, que só pode ser abordada da perspectiva da totalidade, entra em conflito com o modo como se tomam as decisões de produção e de investimento, a partir de decisões privadas e atomizadas.

O conflito se exacerba com o horizonte de curto prazo que cada vez mais rege as atividades econômicas, em sua lógica especulativa, para a qual o que importa são os resultados imediatos e os lucros financeiros fabulosos. A economia se move em torno à produção para o lucro, na qual a produção de mercadorias, que podem (ou não) satisfazer necessidades legítimas, é simples meio para atingir aquele fim. O lucro, como fim em si, não tem limites.

Assim, a produção assume caráter depredatório, ao impor-se a produção em larga escala, o consumo desenfreado e supérfluo, e a aceleração intencional da obsolescência dos bens (produtos ou modelos que duram pouco, devendo ser substituídos pelas novidades disponíveis no mercado). Aqui, é a economia que comanda a sociedade, transgredindo os limites compatíveis à relação harmoniosa com a natureza.

O desenvolvimento econômico verdadeiramente sustentável tem pressupostos bem delimitados. A utilização racional dos recursos naturais, entendida como uma relação equilibrada, não abusiva, de intercâmbio da sociedade humana com a natureza, implica em um planejamento abrangente, com racionalização da produção e do consumo.

Seguindo essa mesma linha, a economia deveria ser orientada por um horizonte de longo prazo, não mais lançando às gerações futuras o ônus do presente, considerando a humanidade em seu desenvolvimento e a natureza em seus processos de regeneração e evolução, em suas relações mútuas.

Por fim, a própria finalidade da produção precisa ser subvertida, primando a produção para o bem-estar, orientada para a satisfação das necessidades humanas de modo sustentável. Em suma, tais pressupostos assumem a primazia da sociedade sobre a economia, isto é, que o conjunto das atividades econômicas esteja subordinado às necessidades sociais (e, portanto, ao imperativo da sobrevivência da humanidade como espécie e como sociedade em desenvolvimento permanente).

O desenvolvimento sustentável, nos termos referidos, é uma necessidade urgente, questão de sobrevivência da própria humanidade diante da devastação do ambiente físico e da biodiversidade do planeta. Pode haver uma solução técnica e economicamente viável, que possibilite levar adiante o progresso material e a integração do conjunto de pessoas hoje excluídas do consumo, sem violentar a natureza.

Mas aqui termina a dimensão técnica do problema. A construção desse novo modelo de desenvolvimento deve passar pela política, pelo conflito. Interesses deverão ser enfrentados. Ou alguém duvida do conjunto articulado de interesses de grandes potências e corporações que pretendem manter o atual padrão, à revelia de quaisquer considerações que não o crescimento econômico em si, o lucro em si?

Por exemplo, como reagiriam as grandes montadoras hoje instaladas no Brasil, responsáveis pela produção de 1,753 milhão de veículos automotores no primeiro semestre (306,35 mil unidades apenas em junho), se algum governo apresentasse um projeto de desenvolvimento de fato sustentável? Renunciariam amigavelmente aos seus lucros, pelo amor à humanidade e à vida? A construção de uma alternativa agora é questão de sobrevivência.

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